Novembro 8, 2011 § Deixe um comentário

Joaquim Nicolau

A alma de um Artista

in

“Povo de Santo & Asé” – nº 8 – Janeiro 2008

P. S.: gostaríamos de saber, como é que enveredou pelo caminho da representação.

J. N.: Desde criança que sempre tive uma apetência natural para representar pequenas histórias que ouvia. Quando aprendi a ler, lembro-me que no final de cada livro tentava sempre

reconstruir essa mesma história, à minha maneira, sendo que as personagens eram representadas por mim e pelos meus amigos mais próximos, que se sentiam um bocadinho

obrigados, visto eu ser maior e mais velho. (risos). Já na idade adulta descobri que o teatro tinha algo mais que a possibilidade de recriar simples histórias; tinha a possibilidade de me fazer conhecer a mim próprio e aos outros. Foi então que decidi estudar Teatro, e dedicar-me com especial atenção à encenação.

P. S.: Com certeza, que tem noção que é uma pessoa, que pouco a pouco tem conseguido angariar um carinho muito grande do público português. A que acha que se deve isso?

J. N.: Em primeiro lugar creio que esse carinho se deve à minha própria personalidade, pois tento ser genuíno em tudo o que faço, e o público apercebe-se disso. Por outro lado, as personagens que tenho feito na televisão (onde tenho mais visibilidade) têm tido uma carga bastante

simpática e de boa índole, criando assim uma certa energia positiva entre mim e os telespectadores.

P. S.: Já é um local comum perguntar-se. qual é a forma de representação que mais o seduz? Novelas (televisão) ou Teatro (palco)?

J. N.: A resposta também acaba por ser comum, mas a realidade é que se torna muito difícil decidir por uma só vertente, porque o que eu gosto mesmo é de representar personagens

interessantes – sejam elas feitas na televisão, no palco ou no cinema.

O que realmente interessa é a arte da representação em si, e não o local.24

P. S.: em que medida, independentemente das religiões, a espiritualidade tem algum papel na sua vida?

J. N.: Tem um papel fundamental, na medida em que quando estou a trabalhar (por exemplo numa peça de teatro), tento que o meu espírito se esvazie totalmente, de modo a poder aceitar

as energias que o texto e a personagem acarretam. O nível de concentração e abstracção tem de ser muito elevado.

P. S.: em relação aos cultos Afro (Candomblé e Umbanda), alguma vez teve alguma aproximação? ou mesmo curiosidade?

J. N.: Não, para ser sincero nunca tive qualquer tipo de aproximação com esses cultos, mas a ideia que tenho é de que são procurados por muitas pessoas.

P. S.: Acha que a espiritualidade poderá ajudar as pessoas a tornarem-se seres humanos um pouco melhores?

J. N.: Acredito plenamente que sim, mas apenas se a souberem respeitar e “utilizar”.

P. S.: Sabia que em Portugal, como no Brasil, o Candomblé como a Umbanda começam a ter significado quer em qualidade quer em número? No caso afirmativo o que pensa disso?

J. N.: Pois, de facto isso vem de encontro à ideia que eu tinha, de que esses cultos são muito procurados, e a meu ver isso significa que todos nós continuamos à procura de ajuda

espiritual. Os tempos agitados do séc. XXI fazem com que as pessoas se queira refugiar num culto onde se sintam bem – sejam ele qual for. Desde que encontrem neles o apoio

necessário, acho que todos eles são válidos.

P. S.: O que pensa de uma revista como esta voltada para toda a espiritualidade ecuménica e sobretudo para o Candomblé e Umbanda?

J. N.: Acho muito bem que existam este tipo de publicações, onde existe informação honesta e competente sobre o assunto, para poder ajudar as pessoas que procuram e praticam estes e/ou outros cultos.

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