Notícia: Organizações Afro-Brasileiras promove Evento sobre Candomblé

Março 31, 2011 § 2 comentários

Irá ter lugar em Paris – França, entre os dias 17 e 30 de Abril, um evento sobre Candomblé e Cultos Afro-Brasileiros em geral. O evento conta com a organização das “Expressões Afro-Brasileiras” e terá lugar na Casa do Brasil de Paris.

O Candomblé em Portugal e os Cultos Afro-Brasileiros em geral, estarão representados por Babalorixá (Pai de Santo) Jomar d’Ogún, Balogún da Nação Ketú e Coordenador Internacional da FENACAB; e Babalorixá Paulo d’Yemanjá, Kolobá de Xangô no Ilé Asé Opô Ajagunã (Bahia – Brasil) e Vice Coordenador Internacional da FENACAB.

Estas individualidades irão discursar sobre os temas em questão, e farão a moderação numa mesa redonda, conforme se poderá verificar no programa abaixo transcrito:

Data e Hora: Domingo 17 de Abril, das 13:30 ás 22:00

Localização: La Maison du Brésil 7L, Boulevard Jourdan Paris, France

– 14h00 – Abertura – Apresentação da exposição “Expressões Afro-Brasileiras” por Aline Silva.

– 14h05 – Conferência sobre religião : “Candomblé…, Porquê?” ministrada por Babalorixá Jomard’Ogun e Babalorixá Paulo d’Yemanjá, do Terreiro Ketu Ilê Sé Omin Ogún em Portugal, e representantes da FENACAB.

– 15h00 – Performance Coregráfica “Os Orixás”, por Washington Timbó.

– 16h00 – Projecção do filme Brasileiro “O Besouro”, realizado por João Daniel Tikhomiroff, falado em Português e com legendas em Inglês.

– 17h30 – Mesa Redonda: Importancia da preservação dos principios Afro através da Capoeira e do Candomblé. Moderação: Babalorixá Jomar d’Ogún e Babalorixá Paulo d’Yemanjá – Coordenadores Internacionais da FENACAB.

– 18h30 – «Roda de Capoeira» – Angola / Aberto ao Público.

– 19h30 – Estágio de Maracatú com Márcia Moraes da AfrosMundos e Performance do Groupo de Maracatú Tamaracá.

È sempre muito positivo ter representantes dos Cultos-Afro Portugueses a nível internacional, transmitido o que de melhor se faz em Portugal nesta área. Ninguém melhor do que Pai Jomar e Pai Paulo, personalidades reconhecidas internacionalmente, para transmitir a seriedade e empenho de quem, cultua o Orisá conforme as tradições e os preceitos necessários.

Acompanhe as evoluções deste evento no Blog da Lendas & Cultos, bem como, na edição impressa da Povo de Santo e Asé, que será distribuída no próximo mês de Junho.

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Positivo ou Negativo

Março 29, 2011 § Deixe um comentário

Texto publicado originalmente na Revista Povo de Santo Asé nº11

A tradição judaico-cristã tem, como o seu pólo mais negativo e perturbador, uma figura odiada e apontada como símbolo de tudo o que é vil e impuro: o Diabo! O seu nome resulta do termo latim “diabolus”, ou seja, “aquele que separa”. É a representação de tudo o que Deus não é, sendo a sua suposta forma original a de um anjo querubim, que foi expulso dos Céus por nele conter o princípio da corrupção universal. É ele a antítese de Deus, o anti-Cristo que, auxiliado pela sua ordem de demónios, é o causador da mutação do certo para o errado e da luz para as trevas. Simboliza a parte mais negativa de todas as coisas e é o alvo a abater na eterna luta entre o bem e o mal.

Pensa-se que a concepção hedionda de Lúcifer só se veio a materializar a partir do fim do Império Romano (476 d. c.), quando a Igreja Católica passou a ocupar o vazio de poder deixadopela queda de Roma; a Europa via-se imersa por invasões dos povos ditos bárbaros, sem conseguir garantir o poder absoluto do qual resultaria a ordem social. Era necessário “demonizar” as crenças pagãs, para que a religião cristã emergisse como nova ferramenta do poder e do controlo sobre os diversos povos que viviam dentro das fronteiras do decaído império Romano, fornecendo uma base de cultura comum para um mundo extremamente diverso e conflituoso. Para manter seu domínio sobre estas populações, durante a “Idade das Trevas” a igreja resolveu personificar “a encarnação do mal”. Passou então a representar no Diabo toda a maldade, osvícios, os pecados e os sofrimentos do mundo; e também a figura de um “Demónio malévolo”, comandante de uma legião de outras criaturas das trevas em luta eterna contra Deus, os santos e anjos, para “corromper a humanidade”, carregando-a para a perdição do pecado, afastando-a da “verdadeira Igreja de Cristo”. Digamos que a possibilidade de pecar, deixou de ser atribuída ao ser humano e ao seu livre arbítrio, e foi transferida para a influência deste Ser que, quando lhe fosse concedida a oportunidade de semear o “pecado”, não a desdenharia.

No entanto, na grande maioria das outras religiões, o conceito é diferente uma vez que esta necessidade de criar um “inimigo religioso” não foi, historicamente, considerado premente. Talvez por isso, é difícil encontrarmos uma entidade que por si só seja exclusivamente má e impura. Deuses ou Santos como Seth, Loki, Exú, Shiva, só para citar alguns, embora complexos, conflituosos, trapaceiros, e detentores de um forte cariz sexual, são entidades capazes de feitos benévolos e essenciais para o equilíbrio universal, embora sejam muitas vezes, por ignorância, sincretisados como os Diabos das suas religiões.

Dando alguns exemplos vemos que:

Seth, Deus egípcio guardião dos mortos, é também visto como símbolo do supremo sacrifício pela justiça, Deus das tempestades, que permitem a constante mutação e sobrevivência do deserto e da inteligência.

Exú (Esú), Orixá Yoruba é visto como o dono da comunicação espiritual, do poder regenerativo e da sexualidade que perpetua a espécie humana. Segundo o Candomblé, sem Exú não há comunicação com todos os restantes Orixás!

Os primeiros contos referentes à Loki descrevem-no como bom e companheiro de Odin. Aos poucos foi-se transformando num ser malévolo e diabólico. A ideia de mal e diabo não existia dentro da concepção nórdica. Este aspecto foi surgindo após o contacto com as civilizações mediterrânicas. Muitas das suas proezas causaram grandes danos ou ferimentos, mas geralmente Loki era suficientemente rápido para restaurar a ordem e evitar o desastre completo, mostrando assim a sua faceta mais positiva.

Shiva, o Deus hindu da destruição, participou activamente na formação do homem e é responsável pela transformação e renovação. Sem ele o mundo parava e nada avançava. Estas entidades, embora perfeitamente capazes de praticar o que hoje é considerado o “mal” não tinham, na sua origem, conotação maléfica. Eram uma parte intrínseca pertencente à dinâmica do todo que é o mundo. É certo que todos eles possuíam “incompatibilidades históricas” com os Deuses ou Divindades considerados mais virtuosos e bons (Loki com Odin, Exú com Oxala, Seth com Osíris e Shiva com Vixnu), mas é importante também salientar que estes, quando analisados à luz da actual concepção do bem e do mal, não poderão ser considerados completamente bons, tendo também cometido actos que não se enquadram nos estereotipo do benévolo Deus Criador da tradição judaico-cristã.

Podemos então aferir que, sendo verdade que em todas as religiões existam pólos ditos “positivos” e “negativos”, apenas na religião de tradição judaico-cristã estes valores se apresentam como absolutos e, mais importante ainda, em nenhuma das outras correntes religiosas, as entidades mais controversas, se assim podermos chama-las, influenciam a capacidade de julgamento do certo e errado inerente ao ser humano. Provavelmente, representarão o conceito, mas não são completamente nefastas na sua essência, fazendo parte do constante equilíbrio universal.

Segundo pudemos perceber ao longo deste texto, o mundo é dual e contém princípio e fim. Esta afirmação jamais deverá ser esquecida. Tudo que for construído um dia deverá ser destruído; por isso o bem e o mal são partes intrínsecas do nosso ser. Somente a possibilidade de reconstrução leva ao crescimento verdadeiro. A busca do equilíbrio, é aceitar as duas como sendo nossas, utilizà-las da melhor forma possível para o crescimento pessoal e consequentemente colectivo.

Qual das religiões tem a concepção verdadeira do exposto, ou se alguma o terá, não é palpável… dependerá sempre da fé, crença e orientação religiosa de cada um, respeitando assim o livre arbítrio que em todas, o Criador Supremo nos concedeu.

 

Povo de Santo e Asé já nas Bancas!!!

Março 26, 2011 § Deixe um comentário

A edição da Revista Povo de Santo e Asé para o trimestre de Março a Maio, já está nas bancas!

A Povo de Santo e Asé é uma revista ecuménica, esóterica, com forte incidencia nos cultos Afro-Brasileiros, principalmente Candomblé e Umbanda, com distribuição em Portugal Continental, Regiões Autónomas e Brasil (Bahia).
A Revista Povo de Santo e Asé é dirigida a todos os interessados na espiritualidade, sem esquecer os cultos Afro. Sabemos que, para viver a espiritualidade na sua plenitude, é necessário conhecer e conjugar todas as suas as suas vertentes. Chama-se a isto ecumenismo ! Na realidade, só se ama e respeita o que se conhece. Continuamos a apostar na autenticidade e na deversidade de todas as formas espirituais , dando voz a todas as vozes.
Edição Trimestral Tiragem actual de 15.000 exemplares.
Acreditamos ainda que cada ser Humano é nosso irmão e Deus, Pai de Todos!.

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